Constelações Sistêmicas - Um novo olhar para a Saúde
- Daiana Bitencourt

- 4 de mai. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 29 de mai. de 2019
Pela psicanálise é sabido que vivências traumáticas reprimidas e excluídas podem acarretar transtornos tanto físicos como psíquicos. Neste sentido, as constelações familiares nos mostram como os traumas dos antepassados a que nos vinculamos pelo destino continuam a atuar através de gerações e influenciam as nossas vidas, reforçando a importância de resgatarmos esses traumas de forma a serem dissolvidos.
Foi nos anos 90 que a constelação familiar estabeleceu-se em diversos países como um método terapêutico de ajuda em diferentes áreas como escolas, presídios, judiciário, empresas e organizações. Entretanto, nas áreas da medicina e da psiquiatria, essa abordagem continua praticamente desconhecida, sendo ainda vista como um método de medicina alternativa utilizado apenas quando a medicina usual não tiver alcançado o resultado almejado.
O psicoterapeuta Bert Hellinger, desenvolvedor da Constelação Familiar, quando da sua compreensão dos problemas que os emaranhamentos causavam e os fatores condicionantes de doenças transgeracionais, interessou-se pela aplicação dessas abordagens alternativas de tratamento e da aplicação da constelação familiar na medicina.
A explicação se dá no fato de todos nós humanos nascermos em uma família, nos ligando a todos os membros pertencentes a ela, o que chamamos de “consciência familiar”. É por ela que, independentemente de nossa vontade, zelamos pelo vínculo no sistema e, devido a essa necessidade de pertencimento a nossa família, nos apegamos a muitas doenças e sintomas familiares. Nesse sentido, o melhor método para demonstrar os efeitos transgeracionais dessa consciência coletiva oculta é a constelação familiar, onde o paciente (constelado) reconhece a história familiar e as dinâmicas que atuam nessa família e que podem estar em conexão com a sua doença e os seus sintomas.
Entretanto, é relativamente pequeno o número de pacientes que conseguem inicialmente perceber uma relação entre sua doença e sua família. É nesse sentido que as constelações lhes fornecem importantes pontos de apoio.
Bert já dizia: “Dois movimentos nos levam ao conhecimento. O primeiro é exploratório e quer abarcar alguma coisa até então desconhecida, para apropriar-se e dispor dela. O esforço científico pertence a esse tipo e sabemos quanto ele transformou, assegurou e enriqueceu nosso mundo e nossa vida. O segundo movimento nasce quando nos detemos durante o esforço exploratório e dirigimos o olhar, não mais para um determinado objeto apreensível, mas para um todo. Assim o olhar se dispõe a receber simultaneamente a diversidade com que se defronta. Quando nos deixamos levar por esse movimento diante de uma paisagem, por exemplo, de uma tarefa ou de um problema, notamos como nosso olhar fica simultaneamente pleno e vazio, pois somente quando inicialmente prescindimos das particularidades é que conseguimos nos expor à plenitude, conseguindo suportá-la. Assim, detemo-nos em nosso movimento exploratório e recuamos um pouco, até atingir aquele vazio que pode fazer face à plenitude e à diversidade. Esse movimento, que inicialmente se detém e depois se retrai, eu chamo de fenomenológico. Ele nos leva a conhecimentos diferentes dos que poderíamos obter pelo movimento do conhecimento exploratório. Ambos se completam, pois, também no movimento do conhecimento cientifico exploratório, precisamos às vezes parar e dirigir o olhar do estreito ao amplo, do próximo ao distante. Por sua vez, o conhecimento obtido pela fenomenologia precisa ser verificado no indivíduo e no próximo.” (Ordens do Amor, Cultrix, p. 14)
A constelação inicia-se pelo esclarecimento da questão pelo paciente. Nessa conversa entro em sintonia com o paciente, com as pessoas e com as estruturas mencionadas por ele, procurando captar seus sentimentos numa atitude destituída de julgamentos, igualmente voltada para todos os participantes e para cada destino, de forma a usar a pessoa para mudar o sistema e não o sistema para mudar a pessoa.
Não temos a possibilidade de escolher os nossos pais nem a história da família a que somos vinculados. Estamos subordinados às forças ordenadoras da consciência coletiva desse sistema. Contudo, por meio de atitudes, podemos olhar para o que recebemos e sentir que recebemos uma dádiva, ao contrário de reivindicarmos o que deixamos de receber.
Seus pais lhe deram a vida. Essa é a melhor coisa que puderam ter feito por você. Agora, sua tarefa é agradecê-los e honrá-los por isso. A reconciliação com os próprios pais é um atributo de especial importância para a solução de problemas.



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